Artigo
As Post-it (etiquetas de papel grudáveis) foram aposentadas. Quadradinhas e com cores fosforescentes, eram úteis como lembrete e na separação de conteúdo nas escolas e nos escritórios. As TAGS (palavra inglesa que designa etiquetas) desempenham esse papel no mundo virtual do World Wide Web. A plataforma é outra, mas a função é a mesma: diferenciar com palavras-chaves o conteúdo que é consumido.
Essas etiquetas virtuais colaboram para construir um vocabulário digital e formar a mitológica ( e tão real) Web 3.0. O termo que surgiu publicado pela primeira vez em uma matéria de John Markoff, jornalista do The New York Times, em 12 de novembro de 2006 ,categorizou e previu um novo sistema de compartilhamento digital: uma web semântica. Desmiuçando, essa nova internet seria capaz de “entender” o internauta e dar resposta completas e razoáveis a perguntas nos principais mecanismos de busca.
Antes que as respostas cheguem, é preciso desenvolver um vocabulário para internet. Nada de HTML e Javas. O alfabeto é ensinado ao computador pelos próprios usuários da rede. A internet começa a conectar as palavras-chaves adicionadas aos websites e assim forma um vocabulário. Quanto mais tags forem adicionadas a um determinado conteúdo virtual, mais facilmente a internet entenderá do que se trata.O sistema funciona como blocos de Lego- como exemplifica John Markoff- onde as páginas são publicamente descritas de forma que todos possam conectá-las.
As tags possibilitaram ao internauta de descrever com as próprias palavras o que o conteúdo lido significa para ele. Uma revolução a partir do momento que os filtros são criados pela visão dos receptores e não mais somente do emissor. Essa interatividade faz com que a informação não tenha limites de difusão e identificação. A cultura digital é um processo expansionista, uma cultura do acesso. Como defende Lucia Santaella, a partir de uma leitura de Hayles(1996): “Informação não é um quantidade conservada. Se eu lhe dou informação, você a tem e eu também. Passa-se aí da posse para o acesso. Este difere da posse porque o acesso vasculha padrões em lugar de presenças’’.
Diversos programas utilizam o mecanismo de etiquetagem para satisfazer o consumidor. Há mais de 15 bilhões de websites na internet. Organizar e separar os conteúdos são maneiras de diminuir o caos da rede virtual. As tags nas páginas virtuais estão relacionadas ao sistema de Social Bookmarks (marcadores) que separa conteúdos e os armazena numa pagina pessoal de compartilhamento.
Com centenas de sites indexadores, a tendência de páginas nesse formato é marca de um público que confia mais na escolha dos seus “iguais” (da própria audiência) do que de um registro fechado empresarial. A influência dos indivíduos anônimos e ao mesmo tempo tão próximos fomenta as comunidades que se guiam pelos mesmos interesses etiquetados.
O Delicious, popular site americano de marcadores, defende ter melhorado a forma como as pessoas descobrem, lembram e compartilham o conteúdo. Cria-se uma conta e o usuário pode acessar de qualquer computador suas páginas favoritas previamente separadas ( o que antes só era possível através da ferramenta Favoritos de cada navegador). Ele pode também criar uma rede de contatos, para ver o que seus colegas acessam na internet, ou buscar conteúdos por palavras-chaves.
O Stumble Upon, outro bookmark, diz que o que diferencia o sistema de busca nos sites especializados em marcadores de buscadores como o Google é a capacidade que você tem de determinar o que é melhor. A revista Time ressalta a respeito do Technorati, comunidade virtual que reúne informações de bloggeiros a representantes comerciais através do sistema de tags dos seus associados, que: “se o google é a referência como livraria, Technorati é a cafeteria”, ou seja, a comunidade proporciona o contato intimista, imediato e objetivo de dados com seus principais interessados.
O internauta pode taxar tantos textos quanto fotos nos sites. As imagens virtuais são categorizadas principalmente através do Flickr. Associado ao Yahoo, o programa é um banco de imagens onde os usuários publicam suas fotos e as indexam de acordo com a sua preferência. Isso facilita a busca de imagens que, sem essa identificação, seriam anônimas no sistema virtual.
Kevin Kelly no seu livro New Rules for the New Economy questiona até onde as ferramentas que utilizamos no mundo digital ditam nosso comportamento e que tipo de economia a tecnologia está nos proporcionando. A resposta vem com os conselhos de Carver Mead, um dos inventores dos modernos chips de computadores: “ouça a tecnologia e descubra o que ela fala a você”. É a web 3.0 reverberando.
A web semântica nem sempre agrada os “rotulados’’e pode proporcionar o bulling. Para exemplificar a situação, o caso da atriz e cantora brasileira Preta Gil, filha do ex-ministro da cultura Gilberto Gil, delineia como o mecanismo de tag educa a internet. Preta Gil foi a uma praia do Rio de Janeiro dar um mergulho. Mas, ao sair do banho de mar, parte do biquíni da atriz havia ficado nas ondas. Por ser figura pública e celebridade, um paparazzi não perdeu a oportunidade de registrar o momento com uma foto.
A imagem foi parar em sites da internet. A atriz se incomodou com a exposição de sua imagem e processou o Google Brasil. O mecanismo de busca, que com certeza não havia tirado a foto, foi alvo das reclamações da atriz. A acusação foi de difamação, pois, ao digitar as palavras atriz gorda, o buscador dava como possibilidade experimente também: Preta Gil.
Entretanto, a opção aparecia não por “associação de má fé” do Google, mas pela própria semântica da internet. O evento se tornou notório, além de seminua a atriz se encontrava acima do peso. A busca pela foto foi intensa e os internautas a rotularam de gorda ao reproduzir a imagem. O buscador sempre disponibiliza conteúdos associados quando uma busca é freqüente taxada com as mesmas palavras.
O caso se depara com um debate ético dessa internet de associações. Até quando a permissividade de resultados de buscas como essa é legal? O Google Brasil se mostrou apto a reverter a situação, como explicou o diretor de comunicação Feliz Ximenes : "fizemos um 'black list', já que era uma associação indevida. (...)O 'black list' insere um código no sistema, dizendo que não há parâmetro entre uma coisa [atriz gorda] e outra [Preta Gil]". O advogado da atriz disse que se o Google tinha a capacidade de desassociar as características, então ele foi permissível ao constrangimento. O meio é co-responsável pela divulgação, de acordo com o advogado.
Essa inteligência virtual é meramente lingüística e não segue padrões morais.
Se a Web 3.0 busca uma lógica humanizada, tem de ter características éticas. Impedir o bullying não seria um ato de censura, mas um mecanismo de proteção. Os bugs dessa leitura etiquetada ainda existem e devem ser discutidos.
Essas etiquetas virtuais colaboram para construir um vocabulário digital e formar a mitológica ( e tão real) Web 3.0. O termo que surgiu publicado pela primeira vez em uma matéria de John Markoff, jornalista do The New York Times, em 12 de novembro de 2006 ,categorizou e previu um novo sistema de compartilhamento digital: uma web semântica. Desmiuçando, essa nova internet seria capaz de “entender” o internauta e dar resposta completas e razoáveis a perguntas nos principais mecanismos de busca.
Antes que as respostas cheguem, é preciso desenvolver um vocabulário para internet. Nada de HTML e Javas. O alfabeto é ensinado ao computador pelos próprios usuários da rede. A internet começa a conectar as palavras-chaves adicionadas aos websites e assim forma um vocabulário. Quanto mais tags forem adicionadas a um determinado conteúdo virtual, mais facilmente a internet entenderá do que se trata.O sistema funciona como blocos de Lego- como exemplifica John Markoff- onde as páginas são publicamente descritas de forma que todos possam conectá-las.
As tags possibilitaram ao internauta de descrever com as próprias palavras o que o conteúdo lido significa para ele. Uma revolução a partir do momento que os filtros são criados pela visão dos receptores e não mais somente do emissor. Essa interatividade faz com que a informação não tenha limites de difusão e identificação. A cultura digital é um processo expansionista, uma cultura do acesso. Como defende Lucia Santaella, a partir de uma leitura de Hayles(1996): “Informação não é um quantidade conservada. Se eu lhe dou informação, você a tem e eu também. Passa-se aí da posse para o acesso. Este difere da posse porque o acesso vasculha padrões em lugar de presenças’’.
Diversos programas utilizam o mecanismo de etiquetagem para satisfazer o consumidor. Há mais de 15 bilhões de websites na internet. Organizar e separar os conteúdos são maneiras de diminuir o caos da rede virtual. As tags nas páginas virtuais estão relacionadas ao sistema de Social Bookmarks (marcadores) que separa conteúdos e os armazena numa pagina pessoal de compartilhamento.
Com centenas de sites indexadores, a tendência de páginas nesse formato é marca de um público que confia mais na escolha dos seus “iguais” (da própria audiência) do que de um registro fechado empresarial. A influência dos indivíduos anônimos e ao mesmo tempo tão próximos fomenta as comunidades que se guiam pelos mesmos interesses etiquetados.
O Delicious, popular site americano de marcadores, defende ter melhorado a forma como as pessoas descobrem, lembram e compartilham o conteúdo. Cria-se uma conta e o usuário pode acessar de qualquer computador suas páginas favoritas previamente separadas ( o que antes só era possível através da ferramenta Favoritos de cada navegador). Ele pode também criar uma rede de contatos, para ver o que seus colegas acessam na internet, ou buscar conteúdos por palavras-chaves.
O Stumble Upon, outro bookmark, diz que o que diferencia o sistema de busca nos sites especializados em marcadores de buscadores como o Google é a capacidade que você tem de determinar o que é melhor. A revista Time ressalta a respeito do Technorati, comunidade virtual que reúne informações de bloggeiros a representantes comerciais através do sistema de tags dos seus associados, que: “se o google é a referência como livraria, Technorati é a cafeteria”, ou seja, a comunidade proporciona o contato intimista, imediato e objetivo de dados com seus principais interessados.
O internauta pode taxar tantos textos quanto fotos nos sites. As imagens virtuais são categorizadas principalmente através do Flickr. Associado ao Yahoo, o programa é um banco de imagens onde os usuários publicam suas fotos e as indexam de acordo com a sua preferência. Isso facilita a busca de imagens que, sem essa identificação, seriam anônimas no sistema virtual.
Kevin Kelly no seu livro New Rules for the New Economy questiona até onde as ferramentas que utilizamos no mundo digital ditam nosso comportamento e que tipo de economia a tecnologia está nos proporcionando. A resposta vem com os conselhos de Carver Mead, um dos inventores dos modernos chips de computadores: “ouça a tecnologia e descubra o que ela fala a você”. É a web 3.0 reverberando.
A web semântica nem sempre agrada os “rotulados’’e pode proporcionar o bulling. Para exemplificar a situação, o caso da atriz e cantora brasileira Preta Gil, filha do ex-ministro da cultura Gilberto Gil, delineia como o mecanismo de tag educa a internet. Preta Gil foi a uma praia do Rio de Janeiro dar um mergulho. Mas, ao sair do banho de mar, parte do biquíni da atriz havia ficado nas ondas. Por ser figura pública e celebridade, um paparazzi não perdeu a oportunidade de registrar o momento com uma foto.
A imagem foi parar em sites da internet. A atriz se incomodou com a exposição de sua imagem e processou o Google Brasil. O mecanismo de busca, que com certeza não havia tirado a foto, foi alvo das reclamações da atriz. A acusação foi de difamação, pois, ao digitar as palavras atriz gorda, o buscador dava como possibilidade experimente também: Preta Gil.
Entretanto, a opção aparecia não por “associação de má fé” do Google, mas pela própria semântica da internet. O evento se tornou notório, além de seminua a atriz se encontrava acima do peso. A busca pela foto foi intensa e os internautas a rotularam de gorda ao reproduzir a imagem. O buscador sempre disponibiliza conteúdos associados quando uma busca é freqüente taxada com as mesmas palavras.
O caso se depara com um debate ético dessa internet de associações. Até quando a permissividade de resultados de buscas como essa é legal? O Google Brasil se mostrou apto a reverter a situação, como explicou o diretor de comunicação Feliz Ximenes : "fizemos um 'black list', já que era uma associação indevida. (...)O 'black list' insere um código no sistema, dizendo que não há parâmetro entre uma coisa [atriz gorda] e outra [Preta Gil]". O advogado da atriz disse que se o Google tinha a capacidade de desassociar as características, então ele foi permissível ao constrangimento. O meio é co-responsável pela divulgação, de acordo com o advogado.
Essa inteligência virtual é meramente lingüística e não segue padrões morais.
Se a Web 3.0 busca uma lógica humanizada, tem de ter características éticas. Impedir o bullying não seria um ato de censura, mas um mecanismo de proteção. Os bugs dessa leitura etiquetada ainda existem e devem ser discutidos.

1 comentários:
Creio que seria um processo legítimo evitar o chamado bullying virtual, mas não acho que o Google deva ser responsável por antever as probabilidades de combinações de palavras que poderão vir a ser utilizadas pelos internautas e que terão ou não um conteúdo ofensivo que caracterize o bullying. Penso que a responsabilidade do Google só deve ser legitimada a partir do momento em que a combinação de palavras que caracteriza o bullying é comunicada à empresa. Somente após essa comunicação e/ou reclamação, a decisão de retirar ou não a combinação de busca está sob o domínio e o conhecimento do Google, afinal, todos nós sabemos que Google é Deus, mas também não é DEUS, né! E tem outra, TÁG na cara que o advogado da Preta Gil TÁG dando uma de advogado!
Márcio Moraes
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